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Lado da Moeda - Só veja se aguentar cenas fortes
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Quarta-feira, Agosto 16, 2006
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Oieee!!!! Quem está acompanhando a novela "páginas da vida"? Está tendo uma discussão em torno de uma avó que abre mão sua neta por ter síndrome de down. Quem assiste pode achar que a forma que está sendo tratada é dura. Que nenhum ser humano trata o outro de forma tão desprezível. Mas acho que possa ser assim, e até pior. Infelizmente o mundo me faz pensar assim. E se muitos não falam, muitos pensam. E como se fossem vários latões de lixo com tampa, o que não está certo, mas menos mal, ou seria muito podre.
Eu nunca tive preconceitos, sempre convivi com Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais, conhecidas com PNES. Claro que me despertava curiosidade, mas era isso apenas, brincava normalmente. Meus pais, principalmente minha mãe soube me criar no meio das diferenças, na qual aprendi olhar o ser como humano, de forma simples, na qual conviver entre pnes, negros, homossexuais não mudasse em nada minha formação.
Mas o contato maior que eu tive foi quando estava na faculdade. Eu me formei em bacharel em Serviço Social. Quando tive que escolher o primeiro estágio obrigatório na verdade não escolhi, infelizmente no Brasil não temos muitas opções. Minha amiga trabalhava e faria estágio numa Associação para PNES. Ela queria que eu fosse também, para compartilharmos experiências. Eu não queria, seria minha última opção. Queria trabalhar com população de baixa renda, infratores...mas PNES, que para mim ainda eram ¿deficientes físicos¿não. Não era preconceito de ser. Mas eu confesso que achava que não ia conseguir conviver, ver. Que acharia triste, não saberia lidar como profissional. Porque certas diferenças às vezes chocam mesmo, quando fogem daquilo que a sociedade impõe como normal. Às vezes não é fácil ver um membro "estourado", as imagens chocam, a situação entristece...e isso sim me assustava. Pensava que cuidaria dessa ¿deficiência¿, e como cuidar de algo que muitas vezes não tem "cura". Nossa como eu cresci, e que bom ser humano tem essa chance.
Primeiro dia conheci uma menina, ela tinha 8 anos, estava numa cadeira de rodas, ela era tão falante, fazia piada de tudo, tinha sorriso iluminado, e já primeiro dia vi que não poderia estar em lugar melhor.
Eu nunca me choquei, lembro que minha supervisora às vezes alertava alguns casos, eu me preparava tanto, e na hora não via nada. Você aprende enxergar o que é de bom. Sem demagogias, você olha direto ponto positivo.
Mas teve momentos tristes também...Quando dois usuários faleceram no mesmo fim de semana, eu não consegui ser profissional e dar notícia, doeu muito. Casos de violência sexual chocavam muito...mas isso já um outro fato... as vezes casos muitos sérios e eu era tão forte e fazia meu trabalho, conseguia eu ali tão jovem, ser alicerce de alguém com tantas experiências mas não sabia lidar com imprevisto da vida. Mas outras, casos tão simples, ia na salinha no fundo e chorava. Graças a Deus muitas vezes chorei de felicidade, emoção.
Mas do mal era só essa tristeza e nenhuma era devido a ¿deficiência¿. Me ensinaram ver minhas deficiências, e me ensinaram a buscar melhora-las. Necessidades especiais, todos nós temos, mas a da maioria é tão parecida, ou tão escondida, que a gente não percebe, ou prefere brincar ser normal.
Foi com eles que aprendi dizer te amo toda vez coração pede, dar um abraço...sem me preocupar que aquilo pareça falso, constrangedor e até gay. Porque a sociedade é assim. Faz a gente reprimir os sentimentos mais nobres, ver as coisas mais simples como constrangedoras, e achar que a necessidade do outro, é uma anomalia na sociedade. Me fizeram inclusive, falar assim, abertamente o que sinto e penso. As oportunidades na vida são únicas, e cada sentido que temos também.
No meu último dia, que foi coincidente numa festa fora da Associação, eu passei lá para pegar umas coisas com uma amiga, e encontrei por acaso a menina de 8 anos, que agora devia estar com 10 anos. Ela estava segurando a mão da fisioterapeuta e andando. Nossa "aguenta coração"...a torneirinha abriu, despedida, e assim...
Queria saber de quem vier aqui, como realmente vêem essas pessoas. E deixar pergunta para um próximo post, o que vocês acham que profissional do Serviço Social faz.
Não sei se foi a novela ou ouvir ¿Found Someone News¿ de Susan Tedeschi e "It Hurts Like Hell"de Aretha Franklin que me fizeram sintetizar isso tão bem, porque quando falo disso dá vontade não parar, são muitas observações, aprendizados, histórias de vida, mas é isso aí.
Vocês estão vendo alguma pessoa doente ou anormal nessa foto?
...só vejo felicidades e grandes potenciais
Vou te Contar
(Tom Jobim).
Vou te contar,
Os olhos já não podem ver,
Coisas que só o coração pode entender,
Fundamental é mesmo o amor,
É impossível ser feliz sozinho.
Bj Grande,
Petri
Comentários, idéias e afins
postado por: <$Petris$> 12:13 AM
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Quarta-feira, Agosto 09, 2006
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Hoje ia postar uma coisa bonita ...mas aconteceram umas coisas.
Lembra do moço do pão do post anterior. Ele colocava carro dele na calçada em frente ao mercado que tem aki. Uma vez escutei dono mercado reclamando que ele era abusado por ficar na calçada...eu achei tão tolo. Ele ali não atrapalhava em nada, e mercado mal tem pão, não muda em nada as vendas. Só ajuda, porque eu por comprar pão nele, acabava comprando leite e complementos no mercado.
Enfim, o dono mercado mandou colocar piso na calçada e os carrinhos ficam lado de fora. E moço do pão...não sei...
É assim que é o mundo. Uma tolice. O dono do mercado não via lucro, procurou com que implicar, e se esforçou, parou para pensar, e gastou, para tirar aquele senhor dali. Por pura implicância e egoísmo.
Meu Deus, quantas pessoas param suas vidas para se preocupar com a vida alheia, preocupar não, implicar, criticar, intrigar, destruir...que podridão é essa? Como que as pessoas jogam lama na cara de nosso Senhor Jesus cristo assim, com a cara mais lavada do mundo.
As vezes me sinto fraca e cansada. Mesmo quando não penso nessas coisas, parece que meu corpo tem em cada célula isso impregnado...me sinto pesada.
Há pouco tempo vi aquele filme "O Demolidor", e o personagem, é um deficiente visual que por não ter uma capacidade física, aprimora todas outras, e busca justiça. Mostra que não precisamos ser perfeitos, basta cada um fazer a sua parte para mudar. E ele diz uma frase , que caberia agora:
"Será que uma pessoa só pode mudar o mundo? Tem dias que acredito tem outros perco totalmente minha fé"
Mas isso é um pensamento, tão tolo, quanto as tolices do mundo. Eu sei que pra mim sempre terá a mão de Deus, temo pelos que vão contra ele, não podia ser assim. Eu sei que não podemos querer salvar o mundo, mas é difícil não sentir e pensar.
Mas eu ainda acredito nas pessoas...e acho que o mundo tem jeito. Se for preciso acreditar em utopia, então essa palavra acabou de ganhar outro significado.
Desculpa o termo, mas se "bonzinho só se fode" , vou ser fudida com orgulho.
Que Jesus preencha vocês, não como uma religião, mas com energia vital,
bjo grande,
Pétris
"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer
Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor".
Marvin - Titãs
Comentários, idéias e afins
postado por: <$Petris$> 2:14 AM
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